Pastorais

ELEIÇÕES 2018

09/09/2018

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: (...) tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar. (Eclesiastes 3.1,7)

 

Ser Cristão é viver a paixão pela Missão de Deus. Ser Cristão também é um exercício de cidadania a partir da vivência comunitária. A Igreja engaja-se na Missão de Deus com o firme propósito de “propagar o Evangelho de Jesus Cristo, estimulando a sua vivência pessoal na família e na comunidade, promovendo a paz, a justiça e o amor na sociedade brasileira e no mundo”.

 

Segundo o Reformador Lutero: Igreja, Economia e Política são as três ordens da Criação. Deus as utiliza como instrumentos para efetivar sua vontade no mundo. Esta é uma perspectiva que está na contramão do que popularmente ouvimos de forma pejorativa: “futebol, política e religião não se discute”; Entretanto, a Bíblia nos ensina o contrário. Igreja, Economia e Política são instrumentos que Deus coloca ao nosso dispor para buscarmos o bem, contra o mal (Amós 5.14).

 

A Missão de Deus abrange todos os espaços do nosso viver: a casa (indivíduo, família, trabalho, amizades), a comunidade de fé (comunidade local, regional, nacional); sociedade civil (bairro, cidade, estado, país, governo, economia, política), a Criação inteira (meio ambiente e recursos naturais). Pelo correto desempenho em cada ordem, nós servimos (ou não!) e cooperamos (ou não!) com Deus no engrandecimento da vida. Portanto, o mesmo Deus que instituiu as ordens, chama e vocaciona, tornando-nos responsáveis pelo cuidado da Criação.

 

Vivemos num contexto brasileiro grave. A rede de sustentação da civilidade está com muitos fios rompidos. O combate à corrupção sinaliza que o pavio da justiça ainda fumega. Já o poço da corrupção parece não ter fundo. O papel da autoridade está desacreditado. Governos e parlamentos perdem a confiança em vista dos seus atos de escárnio contra o povo brasileiro.

 

Nesse ambiente: religião, política e economia, lançam-nos num confronto raivoso, marcado por ódio, polarização e uma visão reducionista do “nós X eles”. As redes sociais veiculam opiniões de quem quer provar que a sua é a verdade absoluta. Por isso, cada qual se autoriza a difamar, acusar sem provar, e a desrespeitar quem pensa diferente. E, para tal, até mesmo recorre a versículos bíblicos selecionados segundo critérios questionáveis. É mais fácil terceirizar a culpa, do que refletir seriamente. Afinal, pensar, refletir, exercitar a autocrítica e entender a complexidade da realidade exige mais e requer humildade. Odiar é mais fácil! Cabe a pergunta: o que toda essa “tagarelice virtual” nos proporciona? Transparece aí alguma proposta descente, que não seja o extermínio de quem não pensa como eu?

 

Que Deus nos oriente a todos (as).

 

Pr. Genildison da Silva Ribeiro

 

Adaptado da carta pastoral da Igreja Luterana sobre as eleições 2018.

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