Pastorais

QUE VOZ É ESSA?

07/06/2020

“Vamos descer e atrapalhar a língua que eles falam, a fim de que um não entenda o que o outro está dizendo”. (Gn 11.7 - NTLH)
“Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem sentido”. (1 Co 14.7 – NAA)
“A pessoa que é de Deus escuta as palavras de Deus. Vocês não escutam as palavras de Deus porque vocês não são dEle”. (Jo 8.47 - NTLH)


Costuma-se dizer que vivemos na era da informação. Certamente isso não deixa de ser verdade, mas por outro lado também podemos afirmar que estamos na era da desinformação, da pós-verdade, das chamadas fake news. Dia após dia somos bombardeados com notícias nem sempre verdadeiras, eivadas de meias-verdades, ou seja, de falseamento da realidade. Poderíamos afirmar que vivemos uma nova Babel, uma Babel ao inverso. Na história bíblica, Babel teve a linguagem confundida para que as pessoas não concluíssem a sua torre que era um monumento à soberba, ao seu projeto de autoglorificação. Parece que agora o projeto de autoglorificação passa pela construção de um mundo cujos fundamentos se apoiam na falsidade, na mentira, na divisão, no desentendimento, na indiferença, na consagração da morte e não, da vida. O mundo está confuso. Justo no momento em que precisaríamos de palavras de certeza e conhecimento, de segurança do que é melhor fazer num tempo de pandemia da convid-19, o que presenciamos é caos e desencontro de informação. É um império de desagregação e de impiedade. Babel está aqui, não como castigo de Deus, mas como construção de uma torre ignominiosa, para afrontar qualquer forma de conhecimento sério, numa espécie de monumento à ignorância.


Quando o apóstolo Paulo nos diz que toda e qualquer voz tem um sentido, temos que entender que os significados precisam ser encontrados, buscados. Principalmente quando se procura sacramentar o que se diz como sendo a voz de Deus. Estamos observando isso todos os dias. Há sempre alguém afirmando isso ou aquilo como sendo o que Deus está querendo, como uma revelação divina. Em meio a tantas vozes discordantes, precisamos colocar à prova o que ouvimos. Precisamos procurar de onde vem essa informação, se ela condiz com o que nos ensina o evangelho de Jesus.


Esse é o ponto. Esse é o filtro pelo qual precisamos passar tudo o que lemos ou ouvimos de quem quer que seja. Deus nos fala por meio de Jesus, portanto as palavras do evangelho é que devem nortear a nossa maneira de ver o mundo, fundamentar os nossos argumentos, embasar as nossas crenças e pautar o nosso comportamento diante de uma crise como essa. É nos evangelhos que encontramos os valores do reino de Deus, que são sempre a favor da vida, que confrontam as injustiças, que promovem o bem de todos, que nos revelam um Deus que abençoa e não amaldiçoa, e que é o Pai de amor – e por isso quer que os seus filhos amem uns aos outros, ao próximo como a si mesmos. Conhecer a verdade que liberta é conhecer o Senhor Jesus, que é verdade e libertação, que é o oposto da mentira e da opressão.


Fiquemos em casa, com a bênção de Deus sobre nós. Amém!

Rev. Vicente de Paulo Ferreira.

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