Pastorais

SEMENTE E PACIÊNCIA

28/06/2020

“Por isso, irmãos, tenham paciência até que o Senhor venha. Vejam como o lavrador espera com paciência que a sua terra dê colheitas preciosas. Ele espera pacientemente pelas chuvas do outono e da primavera”. (Tiago 5.7)

Quanto tempo nós precisamos esperar até que a semente brote e dê frutos? Uns dias, meses, anos? Depende do fruto que esperamos, depende do solo, depende de fatores que estão fora de nosso controle. Não temos poder para fazer nascer. Só temos poder para escolher continuar semeando, ainda que o desafio da demora faça muitos desistirem.


Isso ocorre com muitas de nossas ações ao longo da vida. O que ensinamos na sala de aula, muitas vezes parece não dar os resultados esperados, seja nas avaliações, seja nas atitudes, mas se semeamos uma boa semente, certamente ela propiciará uma preciosa colheita na vida dos nossos alunos e alunas. É uma questão de paciência. No entanto vivemos numa época em que não há tempo para esperar a planta crescer. A educação para a vida concorre com as urgências dos exames oficiais ou não, de resultados que determinam o sucesso ou o fracasso, gerando estresse e muitas vezes frustrações. Paciência definitivamente não é a palavra de ordem em nosso mundo.


Com as orações, não é diferente. Algumas das nossas orações terão respostas imediatas. Outras, talvez, demorarão a ser respondidas e, em muitos casos, só após a nossa partida. Algumas de nossas palavras darão fruto em pouco tempo. Outras vezes nossa pregação terá que aguardar anos, até décadas, antes que possamos ver os resultados. Nem sempre nossas ações de amor e bondade na vida de nossos filhos, de nossos irmãos de fé e das pessoas ao nosso redor terão pronta gratidão e retribuição. Nem sempre o reconhecimento é imediato.


Ainda assim, somos desafiados a continuar semeando. “Pela manhã, semeia a tua semente e, à tarde, não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas”. (Eclesiastes 11.6)


Perseveraremos em oração, mesmo sem nuvens de respostas no horizonte. Ensinaremos, mesmo quando parecer que ninguém está interessado. Pregaremos, mesmo quando só tivermos ouvintes indiferentes. Amaremos, mesmo quando a frieza predomine ao derredor. Aquele que nos mandou semear, nunca disse que seria fácil.


Em alguns momentos nós nos perguntaremos se está valendo a pena o nosso amor e nosso esforço. Em outros, choraremos diante de tanta indiferença. O silêncio divino nos fará duvidar da eficácia da oração. E ainda assim, o tempo tem mostrado que “os que semeiam em lágrimas colhem com alegria” (Salmo 126.5,6).


É bem provável que muito do fruto do nosso esforço só poderá ser visto na eternidade. Por isso, não queremos estar com os que retrocedem. Queremos crer até o fim, lutar até o fim, semear até o fim. Dentro de nós o Espírito grita que a nossa obra tem uma recompensa e que a demora das respostas jamais devem nos impedir de caminhar.


Há um Deus no final desta jornada e Ele diz que a nossa obra não é vã no Senhor. Haverá uma colheita preciosa. Tão somente precisamos exercitar a paciência de um bom semeador.


Que Deus nos abençoe nessa empreitada!
Rev. Vicente de Paulo Ferreira.

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