Pastorais

ELE VEIO PARA OS QUE ERAM SEUS, MAS...

23/12/2018

Estamos no quarto domingo do Advento, ou seja, a penúltima semana antes da celebração do Natal. Esse é um tempo de preparação para os cristãos. E para esse período do nosso calendário, um dos meus textos favoritos é o do Evangelho de Mateus. Nesse trecho das Escrituras, lemos que: “Tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos a adorá-lo. E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele” (Mt 2.1-3).


Qualquer presépio que se preze, tem as figuras dos três reis magos – mesmo a Bíblia não dizendo que eram três. No entanto, a presença desses magos no relato bíblico não é algo óbvio. Existe uma intenção muito clara do evangelista Mateus em relatar seu comparecimento em Belém.


Fazendo um contraste explícito com a reação de Herodes e toda a Jerusalém quando noticiados do nascimento de Cristo, Mateus está mostrando aquilo que o apóstolo João escreveria depois: que Jesus “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Isso fica evidente quando observamos a descrição desses magos. Em primeiro lugar, eles tinham a religião errada. Eles eram magos! Algumas bíblias trazem o nome “sábios”, mas o termo grego é “magoi”, referente aqueles que tentavam manipular poderes sobrenaturais ocultos a seu proveito. Algo absolutamente condenado pelas Escrituras no Antigo e no Novo Testamentos. Em segundo lugar, eles vinham do povo errado. Dizer que eram magos “do Oriente” significava que eles não eram do povo de Israel, da comunidade da aliança com Deus. E em último lugar, eles tinham a profissão errada: eles eram astrólogos! Mateus diz que eles chegaram até Belém pela observação da estrela de Jesus – outra prática condenada veementemente nas Escrituras.


Quando lemos esse texto, aprendemos um dos aspectos da verdadeira mensagem do Natal. De que o nascimento de Jesus é uma boa mensagem de salvação para todos os povos. Se as pessoas realmente depositaram sua fé exclusivamente em Cristo, elas são novas criaturas e a partir dessa nova identidade, “não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28). Longe de querer justificar uma espiritualidade inclusivista – que não se importa com a religião, a etnia e a profissão das pessoas – o que a Escritura está nos ensinando é o exato contrário: de que só em Cristo temos salvação! Apesar do povo que morava em Jerusalém naquela época não O receber, “a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12,13). Esta é a mensagem do Natal.


Deus abençoe a todos (as).


Pr. Genildison da Silva Ribeiro.

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