Pastorais

Se permanecerdes em mim...

08/12/2019

“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito”. (João 15.7)

As comunidades cristãs primitivas enfrentaram muitos problemas: alguns eram externos, mas muitos deles eram internos. Muitas vezes em nossas leituras bíblicas nós nos esquecemos de considerar o contexto histórico maior, ou seja, as peculiaridades da comunidade leitora do texto e o momento vivencial que esta comunidade estava enfrentando.

 

A comunidade de João enfrentava perseguição por parte das autoridades romanas e das judaicas. Os judeus expulsavam do templo aqueles e aquelas que confessavam a Jesus como o Messias. Eles também denunciavam para autoridades romanas qualquer ajuntamento fora do templo. As autoridades romanas combatiam toda e qualquer religião que não fosse a oficial e tratava como movimento subversivo todo ajuntamento não autorizado. Por isso, a ênfase desta passagem bíblica não está no pedido que é atendido. O destaque do nosso texto encontra-se no ato de permanecer em Jesus.

 

Aqui, a preocupação é que as pessoas não se afastem da comunidade e não abram mão de confessar a Jesus como o Messias. Ter os pedidos atendidos é uma consequência imediata dessa relação de fidelidade e de permanência em Jesus. A maioria das pessoas ao ler essa passagem bíblica, enfatiza o fato de ter o pedido atendido, se esquecendo de que precisa permanecer em Jesus. Os membros das comunidades cristãs primitivas concentravam suas orações no tema de “permanecerem firmes em Jesus”, mesmo diante dos leões e diante das ameaças de serem queimados vivos ou crucificados como inimigos de Roma. Não estou dizendo para você que Jesus não atende pedidos, ou que Ele não está preocupado com as nossas necessidades pessoais. Estou explicando que o texto bíblico está focado na nossa permanência numa fé comprometida e não numa fé interesseira.

 

Muitas pessoas se aproximam de Cristo para receber alguma bênção, outras permanecem em Jesus até terem os pedidos atendidos, mas logo depois o deixam. Preste bem atenção: as bênçãos que recebemos não são fruto do nosso mérito e nem da aprovação divina de nossa conduta. Elas são fruto da bondade inerente da personalidade graciosa de Deus.

 

Mas a nossa salvação eterna é fruto da escolha consciente que fazemos de permanecer ou não em Jesus. Permanecer em Cristo é fruto de uma fé comprometida, mesmo diante dos ataques desse mundo, das tentações da nossa carne e das ferozes investidas do diabo.

 

Deus abençoe a todos (as).

Pr. Genildison da Silva Ribeiro.

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