Pastorais

Sabedoria ao Falar

17/03/2019

“Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim”. (Tiago 3.7-10)

Bom dia! O escritor Rilke, ao instruir Franz Kappus, alguém desejoso por tornar-se um grande poeta, adverte: “Pois mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível”. O conselho aponta para o cuidado na hora de expressar os sentimentos através da escrita, mas a advertência também é válida no que diz respeito ao nosso falar. Ou seja, é preciso ter muita prudência em relação ao que falamos, como falamos e com quem falamos. A Palavra de Deus nos adverte “a boca fala do que está cheio o coração”.


Quando falamos de alguém ou de uma determinada situação, não é exposto somente os personagens ou os fatos; com frequência desnudamos a nossa alma diante dos ouvintes. Mostramos intolerância, revelamos mágoas, explicitamos feridas e mazelas do nosso coração.


O dever de controlar a nossa língua continua sendo, para toda pessoa cristã e de boa índole, um enorme desafio de disciplina espiritual. Principalmente, tendo em vista que somos um povo chamado, a partir da nossa experiência com Cristo, para abençoar. A palavra “Amaldiçoar”, no texto original, significa entre outras coisas; “condenar”.


Quando saímos falando mal, condenando as pessoas, dentro de um contexto bíblico, nós estamos amaldiçoando. Por outro lado, a palavra “bênção” nesse contexto do livro de Tiago, é a palavra grega (ευλογια eulogia); que na língua portuguesa é a palavra “elogio”.

Minha oração em seu favor nesse dia é que você determine abençoar as pessoas. Elogie! Elogie os seus familiares, elogie as pessoas que trabalham com você, elogie sua esposa, elogie seu esposo, elogie seus filhos e filhas, elogie seus pais, elogie seus amigos e amigas, elogie as pessoas que estão ao seu redor. Seja um instrumento de bênção, não deixe que algo ruim que existe dentro de você seja exposto, através de palavras, para todos e contamine muitos.


As imperfeições e mazelas de nossos corações precisam ser lançadas e exteriorizadas exclusivamente diante do altar de Deus. Porque lá, somente lá, na presença do Pai, podemos experimentar a verdadeira cura de nossas mais profundas emoções. E, assim, ficará mais fácil brotar coisas boas de nossas palavras.


Um dia marcado por boas palavras e pela capacidade de elogiar.


Com carinho pastoral, João Batista Nunes de Medeiros
(Pr. da Igreja Metodista em São Paulo)

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