Pastorais

A mulher que perdeu a dracma (Lc 15. 8-10)

15/09/2019

Neste boletim, gostaria de compartilhar com a igreja um resumo que fiz de um artigo da Bispa Hideide (Bispa Metodista e minha amiga de seminário).


Segundo ela, a mulher considerava muito importante sua moeda perdida. No entanto, a parábola de Jesus destaca que a casa dela era escura (acendeu a lâmpada), estava suja (varreu a casa toda) e devia ter muitas coisas guardadas para serem movidas do lugar (ela persistiu procurando e procurando...). A seguir, ela nos desafiou a pensar sobre as coisas que perdemos dentro de nós mesmos.


Eu disse que acho ter perdido a leveza e a pureza da minha juventude. Ando retraída quanto à poesia que reinava mais dentro de mim. Receio me tornar a pessoa que lamenta um passado glorioso, porém falso, porque troco a alegria possível no presente por reminiscências que não foram tão boas ou perfeitas quanto sou tentada a recontar agora.


Eu senti que não deveria dormir sem pensar mais sobre isso. Caso é que eu penso escrevendo... Uma pessoa outro dia me disse que eu só sei construir a partir dos fundamentos já dados. Sim, eu sou essa pessoa que precisa de bases. Posso edificar muita coisa inovadora, mas preciso dos fundamentos antigos. Eu me equilibro entre aquilo que herdei e aquilo que construo. Não posso nem quero abrir mão de tantas coisas já vividas em torno de uma aventura egoísta ou pessoal. Eu amo o coletivo e sinto que preciso dar valor à minha vida e que faço isso melhor quando estou no meio de outras pessoas.


Mas não é fácil ser "tradicional" em nenhum aspecto, num mundo tão cheio de volatividades. E também não é fácil ser inovadora num mundo cheio de julgamentos. Equilibrar-se nesta corda é o desafio. O problema sequer é cair. É ficar pendurado, entre uma coisa e outra, sem ir a lugar algum.


Aconteceram algumas coisas hoje que me fizeram perceber que nossa casa comum anda escura. Dentro dela, perdemos o respeito, a decência, a autoridade, a ética, o temor de Deus. Claro que ainda temos nove moedas no pote das economias. Claro que reside muito bem em nós. Mas o que perdemos segue sendo essencial, porque nove não é dez. Falta algo. Não dá para achar na casa escura. Mister acender a luz. Mister remexer nos velhos guardados. Mister jogar alguma coisa fora. Mister procurar até achar. Porque a gente pode não saber exatamente onde encontrar, mas de uma coisa temos certeza: não fomos roubados disso. A gente perdeu, mesmo. A responsabilidade de encontrar é nossa. Vai dar trabalho para encontrar. Temos de mover todos os móveis. A casa ficará diferente, com certeza. Talvez alguém vá estranhar a nova arrumação dos cômodos. Ratos e baratas sairão de cantos ocultos. Mas a gente vai encontrar o que perdeu. Haverá festa por isso, é claro. Mas, de quebra, vamos ter uma casa limpa. E a possibilidade de fazer diferente desta outra vez.

 

Bispa Hideide Brito Torres.

Please reload