Pastorais

Eu Quero Poder Ser Eu!

15/08/2021

Qual é o limite de aceitação do diferente? Até onde podemos manter e expressar nossos gostos e preferências sem cair nas garras de sermos "politicamente incorretos" ou de sermos taxados de preconceituosos?

 

Aqui no Brasil, especialmente na última década, vivemos pisando em ovos quando vamos nos manifestar publicamente. Dos termos e expressões que mais se ouve na mídia, alguns têm se destacado: direitos humanos, liberdade de expressão, xenofobia, homofobia, ideologia de gênero, sistema de cotas, pluralidade, intolerância, preconceito, assédio… e por aí vai. Nesse turbilhão de discursos, não é de se estranhar que surjam alguns questionamentos: quem somos em meio a tudo isso? Temos o direito de assumir para o mundo o que pensamos e em que cremos? Até onde podemos ser sinceros? Devemos usar máscaras a fim de sermos aceitos pelas pessoas? Devemos achar que tudo é normal e aceitável? Devemos sempre nos moldar às crenças difundidas pelos veículos formadores de opinião?

 

Espero, sinceramente, que ainda haja espaço para sermos nós mesmos. No momento em que não pudermos mais ser porque senão estaremos ofendendo alguém, qual será o sentido para “estar e ser” neste mundo? Desde o dia em que nascemos – quiçá antes disso – somos moldados por tudo que vivemos. Há regras e limites na nossa casa, na nossa cidade, no nosso país e outras que são universais. Mas a questão não é apenas um amontoado de regras e sistemas.

 

Na nossa caminhada cristã, surpreendemo-nos com as palavras do Senhor Jesus que, ao ser questionado publicamente, diz: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E pelas palavras de Pedro que, ao ser questionado pela cúpula religiosa, por causa da maneira corajosa como compartilhava sua fé, diz algo que ressoa em nossos ouvidos: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”

 

Nós já vivemos um bocado nesta vida! Não é possível que em algum momento eu não possa ser eu, e você não possa ser você. Não viemos a este mundo apenas para fazer relações públicas, mas também para apresentar um caminho sobremodo excelente, cuja direção aponta para uma Cidade que não precisa nem do sol, nem da lua, para ter claridade, cidade cujas portas jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. E somente entrarão nessa cidade as pessoas que tiverem seus nomes inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. Que nossos nomes estejam lá e que você e eu, finalmente, possamos desfrutar de um tempo em que viveremos em plenitude, sem receio de não sermos aceitos. Naquela cidade, cada lágrima dos olhos de seus habitantes será enxugada.

Deus abençoe a todos (as).

Pr. Genildison da Silva Ribeiro.